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Mais de 58 mil estruturas ficaram danificadas ou destruídas devido ao sismo na Venezuela
Dados obtidos por satélite e analisados pela NASA revelam a escala catastrófica do abalo, que já provocou mais de 1.700 mortos — incluindo dezenas de portugueses e lusodescendentes.
Por Redação
Publicado em 30/06/2026 09:33
International
@Lusa

Washington, 30 jun 2026 (Lusa) — O duplo abalo sísmico que devastou o território da Venezuela na passada quarta-feira terá provocado danos severos ou a destruição total em mais de 58 mil edifícios, de acordo com as mais recentes projeções cartográficas partilhadas pela agência espacial norte-americana (NASA). Com base em mapeamentos orbitais, os especialistas estimam que cerca de 58.870 imóveis tenham sofrido o impacto direto dos tremores de terra na vasta região afetada. Esta análise preliminar resultou do processamento de imagens de alta resolução captadas por satélites da Agência Espacial Europeia no dia 25 de junho, escassas 24 horas após o desastre. Os investigadores Corey Scher e Jamon Van Den Hoek, afetados à Universidade Estadual do Oregon, ressalvaram contudo que os indicadores traduzem alterações abruptas na morfologia da superfície terrestre, devendo ser interpretados como dados indicativos que carecem de verificação detalhada pelas equipas de engenharia no terreno.

O levantamento tecnológico contrasta fortemente com os números provisórios avançados pelas autoridades locais, visto que o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, contabilizou formalmente apenas 855 edifícios com estragos estruturais, identificando desse lote 189 habitações que sofreram uma derrocada integral. No plano humano, a tragédia de 24 de junho fixou um balanço oficial provisório de pelo menos 1.719 vítimas mortais e mais de 5 mil feridos. O impacto do cataclismo atingiu diretamente a comunidade emigrante, estando confirmada a morte de pelo menos 56 cidadãos de nacionalidade portuguesa e lusodescendentes, aos quais se somam 91 indivíduos que permanecem sem paradeiro conhecido ou incontactáveis, segundo as atualizações consulares emitidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa.

A crise humanitária assume contornos ainda mais alarmantes sob a perspetiva das Nações Unidas, cujos relatórios estimam que o número global de pessoas desaparecidas ultrapasse a fasquia das 50 mil. Perante o cenário de colapso, uma vaga de solidariedade internacional mobilizou vários países europeus, incluindo Portugal, que enviaram contingentes especializados em missões de busca, salvamento e resgate para apoiar os sobreviventes. De acordo com os registos do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o desastre foi desencadeado por dois sismos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter, registados com um intervalo inferior a 60 segundos a cerca de duas centenas de quilómetros de Caracas. O fenómeno geológico gerou mais de duas dezenas de réplicas de intensidade variável, ditando a derrocada em massa de quarteirões na capital e na província costeira de La Guaira.

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