Caracas, 04 jul 2026 (Lusa) — A principal figura da oposição venezuelana, María Corina Machado, recorreu às redes sociais para manifestar o seu reconhecimento aos Estados Unidos pelo papel ativo na salvaguarda dos princípios democráticos e da liberdade na América do Sul. A mensagem da Prémio Nobel da Paz foi divulgada estrategicamente no dia em que se celebraram os 250 anos da independência norte-americana.
A antiga deputada dirigiu palavras de profunda gratidão aos cidadãos dos EUA, ao Presidente Donald Trump e a toda a sua equipa governativa. Machado defendeu que a Venezuela e os Estados Unidos possuem uma ligação histórica e um "ADN republicano" partilhado. Manifestou ainda o desejo de continuar a colaborar estreitamente para alcançar um continente pacífico e livre de regimes opressores. A opositora encontra-se no exílio desde dezembro, altura em que viajou para a Noruega para receber o Nobel, após ter passado largos meses na clandestinidade para escapar às ordens de detenção emitidas pelo regime de Caracas, que a acusa de conspiração e terrorismo.
O gesto diplomático surge num momento de bastidores tensos. Apesar de Machado ter anunciado a intenção de regressar imediatamente à Venezuela para apoiar as populações afetadas pelo violento duplo terramoto — que já provocou quase três mil mortes —, a sua viagem estará a ser travada pela própria Casa Branca. Segundo revelou o jornal The Wall Street Journal, a administração Trump tem pressionado a líder política a adiar o retorno por receio de que a sua chegada desencadeie uma crise política profunda em plena catástrofe humanitária.
Por sua vez, a ex-parlamentar, que garantiu não ter exigido qualquer escolta ou medidas de segurança pessoal para reentrar no país, acusou o governo interino liderado por Delcy Rodríguez de ter decretado o encerramento do espaço aéreo venezuelano com o único propósito de inviabilizar o seu regresso à pátria.