MENU
Turquia captura dezenas de ativistas e políticos críticos da NATO
Operações policiais nas vésperas da cimeira de Ancara visam travar protestos da oposição de esquerda, gerando forte contestação interna devido às detenções preventivas.
Por Redação
Publicado em 05/07/2026 11:15
International
@Lusa

Ancara, 05 jul 2026 (Lusa) — As autoridades policiais da Turquia realizaram este domingo uma vaga de detenções que envolveu dezenas de opositores, ativistas e sindicalistas com posições críticas face à NATO. A operação surge integradas num plano de segurança apertado que antecede a cimeira da Aliança Atlântica na capital do país.

De acordo com as informações avançadas pelo jornal Cumhuriyet, as rusgas arrancaram de madrugada em várias regiões do território turco. Os alvos pertencem a uma plataforma contestatária que se posiciona contra a ligação do país à NATO e que apelava a manifestações durante o encontro dos líderes internacionais, agendado para terça e quarta-feira. Entre os detidos em Kocaeli, Antália e Esmirna encontram-se quadros do Partido Trabalhista (EMEP), do Partido dos Trabalhadores da Turquia (TIP) e dirigentes sindicais. A Associação de Advogados Contemporâneos (ÇHD) também denunciou a detenção da sua líder em Istambul, Ezgi Önalan, considerando as ações judiciais como "manobras políticas" para dar uma falsa imagem de harmonia social aos líderes estrangeiros.

Nos últimos dias, o sistema judicial turco já decretou a prisão preventiva para 178 dos mais de 220 cidadãos que foram detidos no âmbito destas medidas de segurança. A liderança do principal partido da oposição social-democrata, pela voz de Özgür Özel, criticou duramente a atuação do governo de Erdogan, classificando o cenário como "uma vergonha" e garantindo que as pessoas detidas preventivamente não cometeram crimes, prevendo que saiam em liberdade assim que o Presidente norte-americano, Donald Trump, abandonar o país. Desde o fim de junho que as manifestações, marchas ou distribuição de folhetos estão expressamente proibidas na capital.

A cimeira da NATO arranca na próxima terça-feira no Palácio Presidencial de Ancara e contará com a presença de Portugal através do primeiro-ministro, Luís Montenegro. Numa agenda focada no apoio à Ucrânia e no aumento da produção industrial militar, o encontro ficará inevitavelmente marcado pela tensão entre os parceiros europeus e a administração de Donald Trump, sobretudo após países como o Reino Unido, Espanha e Itália terem recusado a utilização das suas bases em operações ofensivas contra o território do Irão.

Comentários