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Violência na África do Sul provoca a morte a dois nigerianos e evacuação de mais de 400 africanos
Vaga de ataques xenófobos e marchas maciças contra a imigração irregular forçam países como o Uganda, Quénia e Nigéria a ativar voos de repatriamento urgente.
Por Redação
Publicado em 05/07/2026 11:17
International
@Lusa

Nairobi, 05 jul 2026 (Lusa) — A escalada de violência xenófoba na África do Sul forçou a retirada de centenas de cidadãos de várias nacionalidades e resultou na morte de dois cidadãos nigerianos. Os dados foram avançados este domingo pelos executivos da Nigéria, Quénia e Uganda, que alertam para o facto de estes números serem ainda de caráter provisório.

A crise disparou após manifestações de grande escala contra a imigração ilegal nas principais cidades sul-africanas, onde milhares de manifestantes — muitos exibindo trajes tradicionais zulu e empunhando bastões — exigiram a expulsão de migrantes de países vizinhos, culpando-os pela elevada taxa de desemprego que atinge os 32%. Perante o clima de ameaça, o Uganda confirmou o regresso de 255 nacionais este domingo, elevando o total de repatriados para 560. Numa operação semelhante, o Quénia já retirou 151 pessoas e mantém centenas acolhidas na sua representação diplomática em Pretória a aguardar voos até terça-feira. Estados como o Zimbabué, Gana, Moçambique e Maláui também deram início à evacuação dos seus cidadãos.

O cenário é de elevada tensão diplomática. O Governo da Nigéria condenou formalmente o homicídio de dois cidadãos seus em Joanesburgo, ocorridos a 28 de junho, criticando a forma como os grupos anti-imigração generalizam e rotulam os imigrantes como criminosos. Pretória foi instada a abrir investigações céleres, com o executivo nigeriano a avisar que "todas as opções estão em cima da mesa" caso os episódios de cariz discriminatório e intolerante não sejam travados.

Para tentar conter os distúrbios, que os grupos organizadores prometem repetir todas as semanas, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, autorizou o envio de mais de 3.000 militares para as ruas durante o próximo mês para repor a ordem pública. Embora o executivo sul-africano tenha repudiado os ataques físicos e a proibição ilegal do acesso de estrangeiros a hospitais e escolas públicas, reafirmou a intenção do país em manter uma política rígida de combate à imigração clandestina.

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