Ancara, 07 jul 2026 (Lusa) — Os chefes de Estado e de Governo dos 32 países da Aliança Atlântica reúnem-se a partir de hoje no Palácio Presidencial de Ancara, na Turquia, para uma cimeira crucial de dois dias. Em cima da mesa vão estar o aumento urgente do investimento na Defesa Europeia — impulsionado pelo progressivo descomprometimento dos Estados Unidos —, o reforço da capacidade industrial militar e a continuidade da ajuda à Ucrânia.
O encontro arranca num ambiente de visível fricção transatlântica. A atual administração norte-americana, liderada pelo republicano Donald Trump, tem vindo a reduzir a sua presença militar na Europa, retirando tropas do terreno e insistindo que os parceiros europeus devem assumir a responsabilidade total pela defesa do continente. O último ano ficou ainda marcado por fortes tensões bilaterais, depois de Trump ter criticado aliados como o Reino Unido, Espanha e Itália por bloquearem o uso de bases militares nas operações norte-americanas contra o Irão, além do mal-estar gerado pelas suas ameaças de anexar militarmente a Gronelândia.
Para suavizar o atrito com Washington, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, irá focar-se em demonstrar que a Europa e o Canadá estão a cumprir a sua parte. Recorde-se que, na cimeira anterior em Haia, foi traçada uma meta ambiciosa para 2035: injetar 5% do PIB na Defesa (divididos entre Forças Armadas e infraestruturas industriais). Portugal surge nesta fotografia com os trabalhos de casa alinhados. A comitiva nacional — liderada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro e pelos ministros Paulo Rangel e Nuno Melo — apresenta-se em Ancara após ter alcançado em 2025 o patamar histórico dos 2% do PIB para a Defesa, com um reforço de 1,6 mil milhões de euros desde a última reunião.
Apesar da imprevisibilidade da Casa Branca em relação à guerra na Ucrânia, o bloco atlantista quer blindar o seu suporte a Kiev. O próprio Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, marcará presença no jantar oficial de gala oferecido pelo homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan. A par das reuniões formais, decorre um Fórum da Indústria de Defesa onde empresas e start-ups (incluindo tecnológicas portuguesas) vão debater inovações no ciberespaço, drones e inteligência artificial. Do documento final da cimeira, espera-se ainda uma tomada de posição firme contra o programa nuclear do Irão e em defesa das rotas comerciais no Estreito de Ormuz. A Turquia, anfitriã do evento e potência na produção de drones militares, blindou a capital com medidas extremas de segurança, que resultaram já na detenção preventiva de dezenas de ativistas anti-NATO nos últimos dias.