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Brasil receia recurso dos Estados Unidos “à força militar” em solo brasileiro
Classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas por Washington dispara os alarmes no governo de Lula da Silva, que antevê uma possível invasão de soberania.
Por Redação
Publicado em 07/07/2026 06:09
International
@Lusa

Brasília, 07 jul 2026 (Lusa) – O Governo do Brasil manifestou publicamente uma forte inquietação face à possibilidade de os Estados Unidos avançarem com "ações militares extraterritoriais" em solo brasileiro. O aviso surge depois de a Casa Branca ter decidido colocar os dois maiores grupos criminosos do país na sua lista negra de organizações terroristas.

Numa missiva confidencial enviada ao Parlamento brasileiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira, alertou que "esta classificação unilateral poderá ser invocada para justificar intervenções" que atropelam a soberania nacional. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se posicionou formalmente contra a medida de Washington, que, na ótica norte-americana, serve de salvo-conduto legal para caçar os líderes destas organizações em qualquer ponto do globo.

A tomada de posição dos EUA aconteceu em maio, quando a administração norte-americana acusou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) de operarem "redes ilícitas que extravasam largamente as fronteiras do Brasil". Ambas as organizações dominam o narcotráfico internacional e controlam economias paralelas nas periferias e bairros populares brasileiros.

Esta estratégia de braço-de-ferro tem sido a imagem de marca de Donald Trump desde o seu regresso à Casa Branca em 2025. O presidente norte-americano já aplicou o rótulo de terroristas ao cartel de Sinaloa (México) e ao grupo "Tren de Aragua" (Venezuela). Em território venezuelano, os EUA chegaram mesmo a efetuar ataques dirigidos contra este último grupo, além de realizarem operações letais contra embarcações suspeitas nas Caraíbas e no Pacífico, muitas vezes sem a apresentação pública de provas.

A nível interno, o tema promete incendiar a corrida às eleições presidenciais brasileiras de outubro. A oposição de direita aplaudiu a decisão de Washington e aproveitou o momento para acusar o executivo de Lula da Silva de fraqueza no combate ao crime organizado. Para azedar ainda mais as relações bilaterais, os dois gigantes americanos enfrentam uma guerra comercial: a Administração Trump tem até 15 de julho para decidir se avança com pesadas taxas alfandegárias de 25% sobre os produtos brasileiros, alegando concorrência desleal, uma acusação que Brasília nega categoricamente.

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