Caracas, 9 jul 2026 (Lusa) — A TAP vai voltar a operar na Venezuela já a partir da próxima segunda-feira, dia 13 de julho. A rota será reativada através do Aeroporto Arturo Michelena, na cidade de Valência — localizada a cerca de 170 quilómetros a oeste da capital —, avançou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.
Esta operação surge como alternativa direta ao encerramento do Aeroporto Simón Bolívar de Maiquetía, a principal infraestrutura aeroportuária do país, que sofreu graves danos estruturais decorrentes dos violentos sismos que assolaram o território venezuelano a 24 de junho. Em declarações à Lusa, o governante explicou que a companhia aérea nacional arranca com uma ligação semanal, estando já prevista a expansão para dois voos semanais a curto prazo, respondendo à forte necessidade de deslocação de quem precisa de entrar ou sair do país.
Mais do que repor as ligações aéreas, o regresso da TAP funcionará também como uma ponte de auxílio. O primeiro avião transportará cerca de 7,5 toneladas de produtos farmacêuticos fornecidos por empresas nacionais através do Ministério da Saúde.
Emídio Sousa encontra-se em Caracas numa visita oficial de quatro dias para avaliar o cenário de perto. O secretário de Estado já esteve no estado de La Guaira, a região mais severamente castigada pelos terramotos, onde se reuniu com as equipas de resgate, diplomatas e com a comunidade lusa local. Nos próximos dias, o governante tem encontros agendados com o executivo venezuelano para traçar o plano de reconstrução nacional, reiterando o estatuto da Venezuela como um "país irmão" para Portugal.
Após uma primeira intervenção relâmpago que envolveu o envio de 64 operacionais especializados em cenários pós-catástrofe (como os da Turquia e Marrocos), a missão portuguesa entrou agora na segunda fase, focada no apoio humanitário. Emídio Sousa aterrou no país acompanhado por dois aviões da Força Aérea Portuguesa carregados com 12 toneladas de alimentos, produtos de higiene e saneamento, além de uma tonelada de ferramentas da Marinha e duas ambulâncias totalmente equipadas pela Cruz Vermelha. Adicionalmente, o Governo português libertou uma verba de 400 mil euros para financiar projetos de apoio a 1.500 famílias através das Organizações Não Governamentais (ONG) Cáritas e Oikos.
Os sismos gémeos de magnitude 7,2 e 7,5 — seguidos de mais de 1.100 réplicas — provocaram uma autêntica catástrofe humanitária na Venezuela, contabilizando-se já pelo menos 3.811 mortos e 16.740 feridos. A tragédia atingiu duramente a diáspora portuguesa: há registo de pelo menos 102 vítimas mortais de nacionalidade portuguesa ou lusodescendentes, permanecendo ainda 57 cidadãos desaparecidos ou incontactáveis.