A falta de entendimento entre os sindicatos de professores e o Ministério da Educação, Ciência e Inovação pode comprometer o início tranquilo do segundo período letivo, revela o Diário de Notícias. Esta quarta-feira, a Fenprof reúne-se com o Ministério para uma nova ronda de negociações sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente, apresentando uma contraproposta que considera essencial para valorizar a profissão e combater a escassez de professores.
O sindicato critica a lentidão do processo negocial e acusa o Governo de não tornar a carreira docente mais atrativa. Afirma ainda que as propostas atuais podem desvalorizar a profissão e agravar a falta de docentes nas escolas. Um dos pontos de maior divergência é a inclusão do Referencial de Competências da Administração Pública no perfil geral do docente, que a Fenprof rejeita por entender que aproxima a docência de uma lógica administrativa, afastando-a da sua função pedagógica.
As direções escolares mostram-se preocupadas com a possibilidade de greves no início do segundo período. O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas alerta que, sem alterações significativas, a falta de professores na escola pública persistirá nos próximos anos.
Entre as prioridades para o acordo estão a revisão das condições de trabalho e salários, especialmente nos primeiros escalões, a redução da burocracia e mudanças na avaliação de professores e diretores. A ausência de um consenso rápido é vista como um fator de instabilidade com impacto direto no funcionamento das escolas e no percurso dos alunos.
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