Durante a noite, ficar doente em vários concelhos do país significa, muitas vezes, entrar no carro e percorrer dezenas de quilómetros para conseguir medicamentos. O encerramento noturno das farmácias está a dificultar o acesso aos fármacos, sobretudo no interior, onde as alternativas são escassas ou inexistentes.
Apesar de existirem serviços de atendimento urgente mediante chamada telefónica e apresentação de receita médica, há quem opte por procurar farmácias noutros concelhos. O receio de acordar o farmacêutico de serviço, a falta de informação ou a urgência da situação levam muitos doentes a enfrentar longas viagens durante a madrugada.
É o caso de Ana Isabel Lage, residente em Boticas, que admite já ter ido, por mais do que uma vez, a Chaves durante a noite para aviar uma receita. Um percurso feito em contexto de necessidade, que reflete a realidade vivida por várias populações do interior.
A situação está a gerar preocupação entre os habitantes, que alertam para os riscos acrescidos, os custos e o atraso no início dos tratamentos. Para quem vive longe dos grandes centros, a falta de farmácias abertas à noite transforma um problema de saúde numa corrida contra o tempo — e contra a distância.
Fonte:JN / Foto:GettyImages