A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, apresentou esta terça-feira a demissão do cargo, alegando não reunir “as condições pessoais e políticas indispensáveis” para continuar em funções. O pedido foi aceite pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, segundo uma nota publicada no site da Presidência.
De acordo com o mesmo comunicado, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, assumirá de forma transitória as competências da Administração Interna, conforme previsto na Lei Orgânica do Governo.
A saída da governante surge após vários dias de forte pressão política e pública, na sequência da resposta considerada tardia e pouco eficaz do Governo às sucessivas tempestades que atingiram o país, em particular à depressão Kristin. Maria Lúcia Amaral foi alvo de críticas por só ter reagido publicamente quase três dias depois dos acontecimentos mais graves, justificando a sua ausência no terreno com trabalho desenvolvido “em contexto de invisibilidade”, no gabinete.
As declarações acabariam por agravar a contestação, a que se juntou a polémica em torno da participação da ministra e do secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Ribeiro, numa cerimónia da GNR, realizada no auge da crise, a 28 de janeiro, no Quartel do Carmo, em Lisboa. O episódio levou o Bloco de Esquerda a questionar a “gestão de prioridades” do Governo num dia marcado por elevados níveis de devastação.
A demissão motivou reações imediatas da oposição. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou que a saída da ministra confirma que “o Governo falhou na resposta à emergência”, sublinhando que o principal responsável pela Proteção Civil é o primeiro-ministro. O líder socialista garantiu ainda que irá exigir esclarecimentos a Luís Montenegro no debate quinzenal no Parlamento.
Também Henrique Gouveia e Melo, num artigo publicado no Público, defendeu que o Estado falhou na resposta às populações e que a demissão era necessária. Em entrevista televisiva, afirmou que a decisão “protege o Governo e beneficia a própria população”.
Nas redes sociais, a líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, recordou que o partido já tinha pedido a exoneração da ministra dias antes, acusando o Executivo de falta de prontidão e de capacidade de comunicação numa situação de crise, sublinhando que muitas populações continuam sem respostas essenciais.
Fonte:JN / Foto:DR