PCP exige responsabilidades ao Governo pela resposta ao temporal
Paulo Raimundo afirma que, pelas “prestações infelizes” das últimas semanas, vários ministros “estariam em condições de ir com as cheias”
Publicado em 10/02/2026 20:37 • Atualizado 10/02/2026 20:37
Política
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O secretário-geral do PCP defendeu esta terça-feira que o primeiro-ministro deve assumir responsabilidades políticas pela forma como o Governo respondeu aos efeitos do mau tempo que tem assolado o país. Paulo Raimundo considerou que o problema não se limita a um ou outro governante, apontando falhas generalizadas no executivo ao longo dos últimos 15 dias.

Em conferência de imprensa após a reunião do comité central do PCP, em Lisboa, o líder comunista foi questionado sobre os pedidos de demissão da ministra da Administração Interna. Em resposta, sublinhou que a responsabilidade última cabe ao primeiro-ministro, à semelhança do que já aconteceu noutras áreas governativas. Ainda assim, destacou de forma positiva o facto de o chefe do Governo “dar a cara” perante a situação.

Apesar disso, Paulo Raimundo foi severo na avaliação global do executivo, afirmando que, se o desempenho recente fosse o critério, não seria apenas um membro do Governo a sair. “Se avaliarmos as declarações e as prestações infelizes de cada ministro nestes últimos dias, uma parte substancial do Governo estaria em condições de ir com as cheias”, afirmou.

O dirigente comunista criticou ainda a lentidão da resposta governamental numa situação que, defendeu, exigia decisões rápidas, mobilização total de meios e medidas urgentes, nomeadamente na reposição de serviços essenciais como eletricidade, água e telecomunicações.

Questionado sobre se o tema será levado ao debate quinzenal com o primeiro-ministro, agendado para esta quarta-feira no Parlamento, Raimundo afirmou não ter “um gosto particular” em fazê-lo, mas admitiu que o assunto “dificilmente passará ao lado” da discussão.

Desde 28 de janeiro, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou a morte de 15 pessoas em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados. As consequências incluem inundações, derrocadas, estradas cortadas, danos em habitações e empresas, bem como falhas no fornecimento de energia, água e comunicações, afetando sobretudo as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

Perante a gravidade da situação, o Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoios que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros.

Fonte:JN / Foto:PCP

 
 
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