Em conferência de imprensa após a reunião do comité central do PCP, em Lisboa, o líder comunista foi questionado sobre os pedidos de demissão da ministra da Administração Interna. Em resposta, sublinhou que a responsabilidade última cabe ao primeiro-ministro, à semelhança do que já aconteceu noutras áreas governativas. Ainda assim, destacou de forma positiva o facto de o chefe do Governo “dar a cara” perante a situação.
Apesar disso, Paulo Raimundo foi severo na avaliação global do executivo, afirmando que, se o desempenho recente fosse o critério, não seria apenas um membro do Governo a sair. “Se avaliarmos as declarações e as prestações infelizes de cada ministro nestes últimos dias, uma parte substancial do Governo estaria em condições de ir com as cheias”, afirmou.
O dirigente comunista criticou ainda a lentidão da resposta governamental numa situação que, defendeu, exigia decisões rápidas, mobilização total de meios e medidas urgentes, nomeadamente na reposição de serviços essenciais como eletricidade, água e telecomunicações.
Questionado sobre se o tema será levado ao debate quinzenal com o primeiro-ministro, agendado para esta quarta-feira no Parlamento, Raimundo afirmou não ter “um gosto particular” em fazê-lo, mas admitiu que o assunto “dificilmente passará ao lado” da discussão.
Desde 28 de janeiro, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou a morte de 15 pessoas em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados. As consequências incluem inundações, derrocadas, estradas cortadas, danos em habitações e empresas, bem como falhas no fornecimento de energia, água e comunicações, afetando sobretudo as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
Perante a gravidade da situação, o Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoios que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros.
Fonte:JN / Foto:PCP