Ventura capitaliza derrota em Belém e prepara cerco ao Governo de Montenegro
Publicado em 10/02/2026 12:21
Política
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Apesar da vitória de António José Seguro, o líder do Chega sai das Presidenciais com um recorde histórico de 1,7 milhões de votos. Analistas preveem que o "fantasma" das legislativas antecipadas possa regressar já na discussão do Orçamento para 2027.Embora o Palácio de Belém continue fora do alcance de André Ventura, o desfecho da segunda volta das eleições presidenciais de 2026 está longe de ser lido como um fracasso total dentro do Chega. Pelo contrário, ao conquistar 33,18% dos votos, Ventura atingiu um patamar de mobilização sem precedentes, somando mais de 300 mil novos eleitores à sua base desde as últimas legislativas.

O "cheque em branco" de 1,7 milhões

Com mais de 1,7 milhões de boletins em seu nome, o líder do Chega ultrapassou o seu próprio recorde de 2025. Para os especialistas, este resultado funciona como uma demonstração de força que Ventura levará de volta ao Parlamento. O objetivo agora é claro: converter o capital das Presidenciais em pressão direta sobre a Aliança Democrática (AD).

Segundo o politólogo Bruno Ferreira Costa, Ventura alcançou dois dos seus três grandes objetivos: chegou à segunda volta e obteve uma votação histórica. A falha em ultrapassar a votação agregada da AD não trava a ambição do líder do Chega, que poderá usar este "empoderamento" para forçar uma crise política mais cedo do que o esperado.

Orçamento do Estado: O próximo campo de batalha

A análise política sugere que Ventura dificilmente terá paciência para esperar pelo calendário eleitoral de 2029. O cenário de eleições antecipadas começa a ganhar contornos de realidade, com o outono de 2026 e a discussão do Orçamento de Estado para 2027 a surgirem como as datas críticas no calendário.

No entanto, o caminho não está isento de riscos:

O "Pai da Crise": Analistas como João Pacheco alertam que Ventura terá de medir bem os passos para não ser castigado pelo eleitorado como o único responsável pela instabilidade do país.

Estratégia de Desgaste: A tática passará por desgastar o Executivo de Luís Montenegro, aproveitando falhas na Saúde, Administração Interna e a gestão dos apoios após o recente mau tempo.

Líder da Direita ou Líder do Protesto?

Embora Ventura se tenha autoproclamado "líder da direita", o título é contestado. Com um espaço político moderado que ainda foge ao discurso radical, o Chega detém o segundo maior grupo parlamentar e um peso autárquico crescente, mas falta-lhe ainda a capacidade de agregar toda a área não-socialista.

O regresso de Ventura ao "palco principal" da Assembleia da República promete ser tudo menos tranquilo. O fato de candidato presidencial foi guardado no armário, mas a postura de "líder da oposição" saiu reforçada pelas urnas.

Fonte- CNN Portugal / Foto:DR

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