Henrique Gouveia e Melo considerou que o Governo falhou na organização e coordenação da resposta às populações afetadas pelo recente mau tempo em Portugal. Num artigo de opinião publicado esta terça-feira no jornal Público, o antigo chefe do Estado-Maior da Armada aponta deficiências graves no planeamento, na antecipação dos riscos, nos avisos à população e na comunicação do perigo.
Segundo Gouveia e Melo, o Estado não esteve à altura das circunstâncias e o Governo, enquanto responsável máximo pela resposta pública, deve retirar consequências políticas. Nesse sentido, entende que o primeiro-ministro deve ponderar a continuidade da ministra da Administração Interna, defendendo que a própria deveria pedir a exoneração por falta de preparação e capacidade demonstradas durante a crise.
O ex-candidato à Presidência da República foi igualmente crítico em relação ao modelo atual da Proteção Civil, que considera necessitar de uma remodelação profunda. Defende uma estrutura mais profissional, independente de interesses políticos e verdadeiramente capacitada para responder a situações de catástrofe. Recordou ainda propostas anteriores, onde sugeria a criação de uma grande unidade dedicada à proteção civil no seio das Forças Armadas.
Gouveia e Melo defende também a criação de uma task force ou estrutura de missão diretamente dependente do primeiro-ministro, capaz de assegurar coordenação eficaz entre ministérios, com comando único, liderança clara e uma logística centralizada de apoio às populações afetadas.
No plano da recuperação, o antigo responsável militar considera essencial acionar todos os mecanismos de solidariedade e financiamento europeu, propondo um “Plano Marshall” regional e localizado para reconstruir e desenvolver as zonas mais atingidas.
Desde 28 de janeiro, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou a morte de 15 pessoas em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados. As principais consequências incluem destruição de habitações e empresas, cortes de energia e comunicações, inundações e encerramento de estradas, escolas e serviços. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoios que pode chegar aos 2,5 mil milhões de euros.
Fonte:JN / Foto:José Sena Goulão