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Polícia australiana apreende 2,7 toneladas de cocaína na maior operação de sempre
Estupefacientes avaliados em quase 500 milhões de euros foram encontrados enterrados em bunkers nos arredores de Sydney. Dois suspeitos arriscam prisão perpétua.
Por Redação
Publicado em 22/06/2026 08:15
International
@Lusa

Melbourne, Austrália, 22 jun 2026 (Lusa) – As forças de segurança da Austrália confiscaram 2,7 toneladas de cocaína numa herdade localizada na periferia de Sydney, assinalando aquela que é já a maior apreensão desta substância alguma vez registada na história do país.

A operação decorreu no passado dia 19 de junho numa propriedade semirrural no subúrbio de Londonderry, na zona oeste de Sydney. De acordo com um comunicado da Força Conjunta de Combate ao Crime Organizado do estado de Queensland, os estupefacientes estavam armazenados em recipientes de plástico, enterrados no interior de bunkers subterrâneos estrategicamente escondidos por baixo de três grandes contentores. Para aceder à droga, os suspeitos utilizavam fundos falsos instalados nas estruturas. As autoridades estimam que a mercadoria ilegal teria um valor de mercado a rondar os 816 milhões de dólares australianos (cerca de 499 milhões de euros).

No decurso das buscas na propriedade, as autoridades detiveram dois jovens, de 21 e 25 anos, residentes em Sydney, que foram formalmente acusados do crime de posse de substâncias ilícitas em quantidades comerciais. À luz da legislação local, os arguidos incorrem numa pena de prisão perpétua caso venham a ser condenados em tribunal. O recorde anterior de apreensão de cocaína no país datava de 2024, ano em que foram intercetadas 2,34 toneladas métricas a bordo de uma embarcação de pesca na costa de Queensland.

As investigações policiais indicam que a cocaína terá sido descarregada por via marítima em Midge Point, uma zona tropical de baixa densidade populacional em Queensland. Posteriormente, uma rede de crime organizado sediada em Sydney encarregou-se de transportar o carregamento por via rodoviária ao longo de um percurso de 1.800 quilómetros até à maior cidade do país. Há ainda fortes suspeitas de que esta carga tenha tido origem no mesmo navio-mãe associado a uma outra apreensão recente de 178 quilos de cocaína e 142 quilos de metanfetaminas, num processo que já resultou no indiciamento de seis indivíduos.

A embarcação sob suspeita chama-se Wealth, um navio cargueiro que viajava com bandeira do Belize e que acabou por ser retido pelas autoridades das Ilhas Salomão devido a indícios de envolvimento em redes internacionais de criminalidade organizada. O comandante da Polícia Federal Australiana, Stephen Jay, alertou para o facto de os cartéis estarem a aproveitar a vasta extensão costeira de Queensland — que ultrapassa os 13 mil quilómetros — para introduzir substâncias proibidas no território.

O mercado australiano é visto pelos traficantes como um dos mais rentáveis do mundo, uma vez que os consumidores locais pagam valores extremamente elevados pela droga. Dados divulgados num relatório das Nações Unidas (UNODC) indicam que a Austrália e a Nova Zelândia lideram o consumo mundial per capita de cocaína, com a ONU a alertar que as ilhas do Pacífico se transformaram numa rota central de trânsito para abastecer uma população onde cerca de 3% dos cidadãos ativos confessam ter consumido esta substância.

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