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Estados Unidos bombardeiam nova embarcação nas Caraíbas e matam dois tripulantes
Ofensiva ordenada por Donald Trump contra supostos narcotraficantes já ultrapassa as 210 mortes. ONU e peritos criticam execuções extrajudiciais.
Por Redação
Publicado em 22/06/2026 08:26
International
@Lusa

Washington, 22 jun 2026 (Lusa) – As forças armadas dos Estados Unidos executaram um novo ataque por via aérea contra um navio suspeito de transportar substâncias ilícitas nas águas do mar das Caraíbas. A operação resultou na morte de dois indivíduos e deixou outros seis homens à deriva no oceano, de acordo com o balanço oficial das autoridades.

Este bombardeamento, comunicado na noite deste domingo, eleva para mais de 210 o número de vítimas mortais contabilizadas desde que a Administração liderada pelo Presidente Donald Trump ativou esta polémica investida militar, em setembro do ano passado. Através de uma publicação na plataforma digital X, o Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas (Southcom) justificou a ação alegando que o navio intercetado se encontrava a navegar num corredor marítimo habitualmente utilizado para o escoamento de estupefacientes. O texto foi partilhado juntamente com gravações de vídeo em tons de cinza que captaram o momento exato em que a embarcação é pulverizada por um míssil, gerando uma forte explosão. Não houve registo de feridos nas fileiras militares dos EUA.

O comando operacional referiu que o ataque deixou "seis homens sobreviventes" e garantiu ter acionado de imediato os serviços de busca e salvamento da Guarda Costeira norte-americana para tentar resgatar os náufragos. Trata-se da segunda ocorrência com sobreviventes registada numa semana; a 16 de junho, um outro bombardeamento deixou dois homens na água, tendo a Guarda Costeira suspendido as respetivas buscas um dia depois, sem localizar quaisquer vestígios de corpos ou destroços.

A estratégia da Casa Branca tem sido alvo de contestação internacional, uma vez que o Governo de Donald Trump ainda não exibiu provas documentais ou materiais que atestem que as embarcações destruídas estavam efetivamente ligadas ao narcotráfico. Perante este cenário, relatores das Nações Unidas e analistas internacionais têm condenado as operações, classificando-as como execuções extrajudiciais ilegais.

A missão na área de jurisdição do Southcom foi inicialmente desenhada para sufocar o regime do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que acabou por ser detido numa incursão militar dos EUA em Caracas e transferido para Nova Iorque a 3 de janeiro deste ano. Contudo, a par desse objetivo, Washington expandiu as operações para uma campanha contínua de bombardeamentos no Pacífico e nas Caraíbas contra alvos rotulados como narcotraficantes que tentam abastecer o mercado norte-americano.

A contestação à volta do programa chegou também às instituições de Washington. Um departamento de auditoria interna do Pentágono prepara-se para abrir um inquérito à legitimidade jurídica destas missões. Segundo dados avançados pela imprensa dos EUA, a investigação vai focar-se na validação do cumprimento rigoroso do protocolo militar de seis etapas usado para a seleção e validação de alvos, que cobre todo o processo desde a recolha de informações de espionagem até à ordem final de disparo e posterior avaliação de danos.

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