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China congela taxa de juro de referência em 3% pelo 14.º mês consecutivo
Banco Popular da China opta pela estabilidade monetária, acompanhando as estimativas do mercado e o crescimento económico recente.
Por Redação
Publicado em 22/06/2026 09:02
International
@Lusa

Pequim, 22 jun 2026 (Lusa) – O banco central da China comunicou hoje a decisão de não alterar a sua taxa de juro de referência, fixando-a nos 3% pelo 14.º mês seguido. A medida vai ao encontro das projeções já avançadas pela esmagadora maioria dos analistas financeiros, que previam a manutenção deste valor.

Através da atualização mensal divulgada na sua página eletrónica, o Banco Popular da China oficializou que a taxa preferencial de empréstimo (LPR) a um ano vai manter-se inalterada por, pelo menos, mais trinta dias. Este índice, implementado em 2019 como o principal referencial, dita as regras para os juros aplicados aos novos financiamentos — direcionados maioritariamente ao tecido empresarial — bem como aos créditos de taxa variável em amortização.

A fórmula de cálculo da LPR apoia-se nos dados fornecidos por um grupo selecionado de bancos, incluindo operadores de menor escala que lidam habitualmente com custos operacionais mais altos e maior risco de incumprimento. Esta estrutura procura mitigar os custos de crédito e impulsionar a atividade económica real. Adicionalmente, a instituição bancária informou que a LPR a cinco anos — o principal indexante para o crédito imobiliário — vai permanecer nos 3,5%, o que também cumpre o cenário antecipado pelos peritos.

A última vez que Pequim mexeu nestes indicadores foi em maio de 2025, data em que reduziu as duas taxas em dez pontos base: a LPR de curto prazo recuou de 3,1% para os atuais 3%, ao passo que a taxa de longo prazo cedeu dos 3,6% para os 3,5%. Na altura, face ao panorama desafiante da segunda maior economia do mundo, o corte foi visto pelo mercado como uma consequência natural. Apesar de se anteciparem novas descidas no segundo semestre de 2025, o banco central optou por fechar a porta a mais reduções.

Segundo os analistas, o banco central chinês tem gozado de folga técnica para aliviar a política monetária sem colocar em risco a cotação do renmimbi, muito devido ao alívio nas taxas promovido pela Reserva Federal dos Estados Unidos. Porém, os decisores em Pequim preferiram agir com cautela para evitar a especulação nos mercados financeiros ou a exacerbação dos problemas ligados à sobrecapacidade de produção nas fábricas.

Embora o mercado tenha voltado a especular sobre um eventual corte de juros nas últimas semanas, a performance da economia no primeiro trimestre — que registou uma expansão de 5%, superando os alvos fixados — e a recente pressão inflacionária provocada pelo conflito no Irão ditaram a prudência da autoridade monetária. Paralelamente às tensões comerciais com os Estados Unidos, os especialistas identificam a fragilidade no consumo interno e nas exportações, a crise de longa data no imobiliário e o défice de confiança do setor privado como os grandes entraves a uma recuperação económica mais expressiva desde o fim das restrições da pandemia.

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