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Sánchez garante continuar a luta para anular votos dos peruanos no estrangeiro
Candidato de esquerda vai contestar rejeição do júri eleitoral e insiste na tese de irregularidades administrativas, enquanto Keiko Fujimori aguarda proclamação oficial.
Por Redação
Publicado em 25/06/2026 08:28
International
@Lusa

Lima, 24 jun 2026 (Lusa) — O candidato da ala esquerda, Roberto Sánchez, anunciou que irá avançar com um recurso formal junto da comissão eleitoral do Peru, após ver recusada a sua exigência de invalidação dos votos dos cidadãos residentes no exterior na segunda volta das eleições presidenciais.

A decisão de recorrer surge na sequência da deliberação de um júri eleitoral especial peruano, tomada na passada terça-feira, que considerou improcedente a petição de Sánchez para anular os sufrágios registados nas repartições consulares distribuídas pela Europa, Américas, África, Ásia, Oceânia e Médio Oriente. Em reação, o candidato denunciou na quarta-feira a existência de uma alegada "fraude em curso" e vincou que recusará reconhecer a vitória da sua opositora de direita, Keiko Fujimori.

Neste momento, as projeções matemáticas tornam a reviravolta praticamente impossível para Sánchez: Fujimori mantém uma liderança sólida de mais de 44 mil votos num universo de 19 milhões de boletins contabilizados, restando apenas apurar cerca de 39.300 votos. Roberto Sánchez defende que houve falhas na conservação do material e na gestão administrativa do ato eleitoral fora do país, salientando que, se fossem contabilizados apenas os votos em território nacional, teria uma vantagem de 25 mil sufrágios sobre a rival.

Por outro lado, Keiko Fujimori já manifestou o desejo de ver os resultados validados institucionalmente nos próximos dias para poder iniciar a transição de poderes e estruturar o novo executivo. A líder do partido Força Popular confessou compreender a frustração do adversário, recordando que já viveu desfechos semelhantes ao ser derrotada por margens mínimas nas presidenciais de 2011, 2016 e 2021.

O cenário de contestação colide, contudo, com os relatórios internacionais. A missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) reiterou publicamente que não detetou quaisquer anomalias na contagem de 99,86% das urnas, garantindo que o escrutínio espelhou fielmente a vontade dos eleitores expressa a 07 de junho. No mesmo sentido, a comitiva da União Europeia descreveu o processo eleitoral como "calmo e ordenado", apesar do ambiente de acentuada polarização política no país andino.

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