Taipé, 25 jun 2026 (Lusa) — O Governo de Taiwan manifestou hoje a sua satisfação perante a tomada de posição pública dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, que criticaram duramente a mais recente missão naval levada a cabo pela China a leste da ilha. As autoridades de Taipé argumentam que a manobra militar de Pequim atropela o direito internacional e ameaça a estabilidade global.
Joseph Wu, secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, recorreu à rede social X para louvar o comunicado conjunto emitido pelas delegações diplomáticas europeias, bem como as advertências feitas de forma isolada por Washington. O governante sublinhou o empenho da ilha na defesa de uma ordem global regulada por leis, da paz regional e do "status quo", instando a República Popular da China a travar as suas ambições expansionistas nos mares.
A movimentação de Pequim teve início há cerca de duas semanas e meia sob a designação de "operação especial de controlo marítimo". Esta ação surgiu em jeito de represália após o Japão e as Filipinas terem anunciado negociações para definir as fronteiras das suas plataformas continentais e zonas económicas exclusivas. Embora o regime de Pequim alegue que a operação serve apenas fins administrativos e de segurança de navegação profunda, o Ministério da Defesa de Taiwan detetou um aumento drástico da presença chinesa, contabilizando mais de uma centena de embarcações oficiais nas redondezas em junho, mais do dobro das registadas nos meses anteriores.
O cerco naval gerou uma reação pouco habitual no ocidente: numa nota conjunta divulgada na quarta-feira, Londres, Paris e Berlim demonstraram forte apreensão com o impacto destas ações na segurança das rotas comerciais e na liberdade de navegação. Na mesma linha, o Instituto Americano em Taiwan (AIT) alertou que as reivindicações de Pequim sobre águas controladas pacificamente por Taipé há mais de 70 anos servem apenas para inflamar as tensões regionais.
O Conselho para os Assuntos Oceânicos de Taiwan reforçou esta visão, lembrando que a estabilidade do Estreito de Taiwan é um pilar essencial do comércio mundial e que, por isso, a segurança local é um tema que diz respeito a toda a comunidade internacional. Importa recordar que a China continua a reclamar a soberania sobre Taiwan, não descartando uma intervenção militar, enquanto Taipé reitera que o futuro político da ilha cabe estritamente aos seus 23 milhões de habitantes.