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Corrida contra o tempo para resgatar pessoas afetadas por duplo sismo na Venezuela
Equipas de salvamento procuram sobreviventes nos escombros de vários edifícios que ruíram na capital, enquanto o país tenta recuperar os serviços básicos sob estado de emergência nacional.
Por Redação
Publicado em 25/06/2026 08:39
International
@Lusa

Caracas, 25 jun 2026 (Lusa) — Uma vasta operação de busca e salvamento, que mobiliza centenas de socorristas, forças policiais e brigadas caninas, está a decorrer em várias zonas da Venezuela para localizar vítimas presas nos escombros após os dois fortes terramotos que abalaram o país.

De acordo com o balanço das autoridades locais, a violência dos abalos de quarta-feira causou o desabamento total de pelo menos cinco edifícios na área metropolitana de Caracas, concentrando-se quatro deles na zona leste e um nas imediações do centro da cidade.

O município de Chacao, situado a leste da capital e conhecido por acolher uma expressiva comunidade portuguesa, foi um dos pontos mais afetados. O autarca local, Gustavo Duque, confirmou à imprensa que quatro prédios colapsaram por completo — nomeadamente os edifícios Petúnia, Don Pepe, o Altamira Village Hotel & Suite e uma estrutura em Bello Campo — e outros seis sofreram danos estruturais graves nas urbanizações de Los Palos Grandes e Altamira. Mais de 500 operacionais encontram-se destacados nestes locais, tendo conseguido resgatar, até ao momento, 18 sobreviventes. Por motivos de segurança, o acesso de civis e jornalistas a estas áreas foi fortemente condicionado.

No centro de Caracas, o cenário repete-se com a derrocada do edifício Marován, na localidade de San Bernardino. Relatos no terreno dão conta de danos visíveis no comércio local, incluindo a conhecida padaria portuguesa "La Rosita", em Las Delícias, que viu o revestimento das suas paredes ruir, mesmo em frente a outro prédio residencial que apresenta fendas estruturais alarmantes.

Os dois sismos — que registaram magnitudes de 7,1 e 7,5 na escala de Richter com uma diferença de apenas 39 segundos — lançaram o pânico na capital e deixaram a cidade temporariamente às escuras, sem ligações telefónicas estáveis e com falhas severas na rede de Internet da operadora Movistar.

Face à gravidade da situação, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou o estado de emergência nacional e lançou um apelo urgente para que todos os profissionais do setor da saúde se desloquem para os postos de trabalho. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que serve Caracas, foi encerrado devido a danos profundos na sua infraestrutura, tendo sido também decretada a suspensão imediata de todas as atividades escolares no país.

Apesar de os tremores de terra terem sido sentidos em todo o território venezuelano — com maior impacto em estados como La Guaira, Miranda, Falcón e Distrito Capital —, a situação em Caracas começa a normalizar progressivamente no que toca ao restabelecimento do fornecimento de eletricidade e telecomunicações, embora o tráfego nas ruas continue invulgarmente caótico.

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