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Irão culpa NATO de “cumplicidade” na guerra travada contra o país
Teerão reage com dureza às declarações do secretário-geral da Aliança Atlântica sobre o uso de bases europeias por caças norte-americanos, enquanto Itália desmente missões de combate.
Por Redação
Publicado em 25/06/2026 08:41
International
@Lusa

Teerão, 25 jun 2026 (Lusa) — O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão atacou frontalmente a NATO, acusando a organização de ser cúmplice naquilo que classifica como uma "guerra de agressão ilegal" promovida conjuntamente pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano.

A tomada de posição, assumida pelo porta-voz diplomático Esmail Baghai, surge em resposta às recentes declarações de Mark Rutte. Em entrevista à estação norte-americana Fox News, o secretário-geral da NATO revelou que cerca de "500 aeronaves norte-americanas descolaram de bases americanas em Itália" no âmbito do conflito. Rutte usou estes dados para contrapor as críticas frequentes do Presidente Donald Trump de que a Europa não apoia as iniciativas de Washington, sublinhando que, contabilizando todo o espaço europeu, realizaram-se entre quatro a cinco mil missões aéreas na denominada "Operação Fúria Épica".

Para as autoridades de Teerão, estas palavras constituem uma confissão inequívoca do envolvimento direto da NATO no conflito. Através da rede social X, Baghai apontou o dedo especificamente a Itália e à Roménia como nações participantes na ofensiva militar e instou os governos europeus a justificarem perante os seus cidadãos e o mundo o apoio prestado à coligação israelo-americana.

A reação de Roma não se fez esperar. O Ministério da Defesa italiano emitiu um comunicado a classificar o relato de Mark Rutte como "completamente enganoso", clarificando que o país nunca validou missões de cariz ofensivo ou de combate a partir do seu solo. Segundo o executivo italiano, a utilização das instalações militares por parte dos EUA limitou-se estritamente a procedimentos técnicos, de rotina e de apoio logístico previstos em acordos bilaterais, garantindo que todas as solicitações para ações de cariz cinético foram rejeitadas — como aconteceu em março, ao ser negado o uso da base de Sigonella por bombardeiros.

Apesar dos desmentidos oficiais da Defesa, as revelações do líder da NATO já abriram uma crise política interna em Itália. Os partidos da oposição exigem agora explicações urgentes ao governo de coligação liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni para apurar a total transparência das operações conduzidas no país.

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