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RDCongo atualiza para 321 o número de mortos e 1.203 os casos confirmados de Ébola
O mais recente boletim do Ministério da Comunicação aponta para uma taxa de letalidade de 26,7%. A epidemia já se propagou ao Uganda e França confirmou o primeiro caso positivo.
Por Redação
Publicado em 27/06/2026 09:46
International
@Lusa

Nairobi, 27 de junho de 2026 (Lusa) — O balanço do surto de Ébola que afeta o leste da República Democrática do Congo (RDC) sofreu um novo agravamento, fixando-se agora em 321 vítimas mortais e 1.203 infeções confirmadas desde o passado dia 15 de maio.

Os novos dados constam do mais recente relatório oficial do Ministério da Comunicação congolês, que reporta à situação contabilizada até 25 de junho. Segundo o executivo local, a taxa de mortalidade associada a esta vaga da doença ronda os 26,7%. Em contrapartida, as equipas no terreno conseguiram mapear e rastrear 82,8% dos contactos próximos, registando-se ainda um total de 148 doentes totalmente recuperados.

"O Governo recorda que a luta contra o Ébola é da responsabilidade de todos. Exortam-se todos os cidadãos a comunicarem qualquer caso suspeito, a respeitarem as medidas de higiene e a evitarem qualquer manuseamento dos corpos das pessoas falecidas", apelaram as autoridades da RDC no mesmo comunicado.

Detetada originalmente na província de Ituri — região fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul e que permanece como o epicentro da crise —, a epidemia já se estendeu às províncias orientais de Kivu do Norte e Kivu do Sul. O vírus transpôs também a fronteira para o Uganda, onde se registam 20 infeções confirmadas (15 das quais importadas da RDC) e dois óbitos.

Fora do continente africano, o Governo francês anunciou ter identificado o primeiro caso positivo em território nacional: um médico que contraiu a doença após regressar de uma missão humanitária na RDC.

De acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto em curso pertence à estirpe de Bundibugyo, que apresenta habitualmente taxas de letalidade entre os 30% e os 50% e para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos validados. A OMS, que decretou o estado de "emergência de saúde pública de importância internacional" a 17 de maio, calcula que o vírus já circulasse em Ituri dois meses antes da sua deteção oficial e alerta para um risco "elevado" de contágio na África Subsariana.

Esta vaga epidemiológica já se converteu na terceira mais grave de que há registo na história do vírus Ébola, sendo apenas superada pela crise na África Ocidental (2014-2016), que vitimou cerca de 11.000 pessoas, e pelo surto no leste do Congo (2018-2020), que saldou-se em 2.299 mortos.

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