Crise no SNS: Gastos recorde de 13 mil milhões não travam degradação do serviço em 2025
Publicado em 10/02/2026 19:24 • Atualizado 10/02/2026 19:24
Saúde
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Apesar do reforço orçamental e do aumento do número de profissionais, o Serviço Nacional de Saúde encerrou o ano de 2025 com indicadores críticos: listas de espera mais longas, menos cirurgias e um buraco financeiro que ascende aos 2,7 mil milhões de euros.

O mais recente relatório da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) traça um retrato negro da saúde pública em Portugal. Contrariando as promessas governamentais de maior eficiência, o SNS fechou o ano de 2025 com uma performance inferior à de 2024 em quase todas as frentes assistenciais, apresentando simultaneamente contas "no vermelho".

O paradoxo dos números

O documento revela um cenário contraditório: os hospitais e centros de saúde receberam uma injeção de 13 mil milhões de euros (uma subida de 5,3%) e contam com mais 1,3% de médicos e 2,5% de enfermeiros. No entanto, o aumento de recursos não se traduziu em maior produtividade:

Cirurgias: Registou-se uma quebra de 0,7% nas intervenções realizadas.

Listas de Espera: O número de doentes a aguardar cirurgia subiu para cerca de 268 mil (um salto de 3,3%).

Consultas: As primeiras consultas hospitalares caíram 1,8%, e a lista de espera para uma especialidade disparou 13,6%, superando a barreira de 1,1 milhões de pessoas.

Foco geográfico e o "caso" de Santa Maria

A degradação é particularmente visível em unidades específicas. A Unidade Local de Saúde (ULS) de Barcelos lidera o agravamento das listas cirúrgicas, com um aumento de quase 50%. Seguem-se o Amadora-Sintra e o Hospital de Santa Maria — este último com mais de 12.600 doentes à espera de operação, num ano marcado por polémicas em torno de remunerações extraordinárias de profissionais.

Cuidados Primários e Gestão Financeira

Nos centros de saúde, a situação não é mais animadora. O número de portugueses sem médico de família subiu para 1,6 milhões, representando um aumento de 2,7% face ao ano anterior. O relatório destaca ainda que metade das consultas agendadas ultrapassa o Tempo Máximo de Resposta Garantido por lei.

No plano financeiro, o SNS enfrenta uma tempestade: o prejuízo acumulado de 2,7 mil milhões de euros é acompanhado por uma dívida de 1,4 mil milhões, que cresceu 11% num só ano.

O único sinal positivo

O único indicador que registou uma melhoria foi a afluência às urgências, que caiu 9,5% (para 5,5 milhões de episódios). Este decréscimo é atribuído às novas regras de triagem e ao incentivo ao uso prévio da Linha Saúde 24, sugerindo uma maior literacia dos utentes no acesso ao sistema, apesar do colapso nas restantes áreas.

Fonte- CNN Portugal

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