O Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a criação de uma emissão conjunta de dívida dos 27 Estados-membros da União Europeia, os chamados eurobonds, para financiar investimentos estratégicos em transição ecológica, inteligência artificial e tecnologia quântica. O objetivo, afirmou Macron, é permitir que a UE não fique para trás em setores-chave e desafiar a hegemonia do dólar no mercado global.
Numa entrevista concedida a sete jornais europeus, incluindo Le Monde, The Economist e Süddeutsche Zeitung, Macron explicou que esta iniciativa representaria “uma capacidade de endividamento comum com visão de futuro” e alertou que não aproveitar esta oportunidade seria um “grave erro”. Segundo ele, o mercado global procura alternativas ao dólar e a dívida europeia poderia assumir esse papel.
Macron sublinhou ainda que a Europa deve reforçar a integração econômica e financeira, simplificando o mercado interno, unificando o direito comercial e consolidando os mercados de capitais e as redes elétricas. “O mercado nativo para as nossas empresas não pode ser vinte e sete mercados diferentes, mas 450 milhões de pessoas”, destacou.
O Presidente francês defendeu também a diversificação das parcerias comerciais, mencionando o recente acordo da UE com a Índia como um exemplo de nova fonte de crescimento e redução de dependências. Sobre o acordo com o Mercosul, Macron considerou-o desatualizado e mal negociado, afirmando que não traria os benefícios nem os prejuízos anunciados por alguns setores.
No domínio industrial, Macron reafirmou o apoio ao projeto do futuro avião de combate europeu (SCAF), salientando a importância de avançar apesar de eventuais tensões entre França e Alemanha. O chefe de Estado francês concluiu que a UE precisa de um “despertar” em termos económicos, financeiros, de defesa, segurança e democracia, apelando a uma estratégia conjunta para reforçar competitividade e autonomia europeias.
Fonte:CNN Portugal / Foto:Getty Images