A Fraternidade São Pio X, comunidade católica tradicionalista com sede na Suíça, anunciou que pretende realizar novas ordenações episcopais em 1 de julho sem a aprovação do Papa Leão XIV. A decisão surge após uma audiência solicitada a Roma ter resultado numa carta considerada insatisfatória pelo grupo, reacendendo um antigo conflito sobre a tradição litúrgica na Igreja Católica.
Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade adere à Missa Tridentina, celebrada em latim de costas para a congregação, rejeitando as reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965). O Vaticano considera estas ordenações ilícitas uma ameaça direta à unidade da Igreja e alerta para o risco de um novo cisma.
Atualmente, a Fraternidade conta com cerca de 720 sacerdotes e apenas dois bispos, apesar de ter fiéis espalhados por vários países, incluindo França, Estados Unidos e Alemanha. Analistas religiosos destacam que o ato planejado é "cismático na sua essência" e pode desencadear uma excomunhão automática, embora Roma procure reagir com moderação.
Nos últimos anos, o Vaticano já tinha tomado medidas para reconciliar a Fraternidade com a Igreja: a excomunhão de 1988 foi revogada em 2009 e, em 2017, foram validadas condicionalmente celebrações de casamentos por padres lefebvristas. Contudo, desde a eleição de Leão XIV, em maio de 2025, o grupo intensificou as críticas ao Papa, especialmente em questões sociais e litúrgicas.
O cardeal Victor Manuel Fernandez ofereceu-se para se encontrar com a Fraternidade em Roma a 12 de fevereiro, na tentativa de mediar a situação. Especialistas sugerem que uma possível solução passaria por bispos capazes de fazer a ponte entre os dois lados, mas alertam que o cerne do conflito reside na rejeição das reformas do Vaticano II e na defesa de uma tradição litúrgica considerada ameaçada.
Fonte:JN / Foto:Arquivo